O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil registrou um recuo de 0,4% no segundo trimestre de 2026 no Brasil, influenciado diretamente pela manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), apesar dessa retração trimestral, o setor sustentou um avanço de 1,1% no primeiro semestre e alta de 1% frente ao mesmo período de 2025.
📌 Principais Pontos da Notícia:
- O PIB da construção recuou 0,4% no 2º trimestre de 2026, mas acumula alta de 1,1% no semestre.
- A CBIC manteve a projeção de crescimento do setor em 1,2% para o encerramento do ano.
- O mercado de trabalho formal no setor cresceu 6,52% no primeiro semestre, impulsionado por obras de infraestrutura.
Juros altos e cenário externo afetam o dinamismo do setor
A desaceleração reflete um ambiente macroeconômico mais desafiador e incerto do que o projetado no início de 2026. A taxa Selic em patamar elevado há um período prolongado, aliada ao custo de crédito encarecido e ao endividamento das famílias, acabou freando o segmento de pequenas obras, reformas e consumo do mercado imobiliário.
De acordo com a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, as tensões internacionais iniciadas no final de fevereiro alteraram a trajetória de queda dos juros esperada pelo mercado. Isso gerou maior cautela entre os empresários em relação a novos investimentos para o segundo semestre e para os anos seguintes.
Ainda assim, a CBIC reafirma a previsão de expansão de 1,2% para a construção civil em 2026. O otimismo moderado é sustentado pela força dos investimentos privados em concessões, projetos de saneamento básico e pelo ritmo constante de lançamentos do programa Minha Casa, Minha Vida.
Geração de empregos formais e expansão da infraestrutura
Apesar da desaceleração na atividade produtiva, o mercado de trabalho da construção civil continua em forte expansão. O saldo de vagas formais registrou um aumento de 6,52% no primeiro semestre de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Pela primeira vez na série histórica recente, o segmento de obras de infraestrutura superou a construção de edifícios em geração de novos postos formais. Foram criadas quase 65 mil vagas na infraestrutura entre janeiro e junho, representando um salto de quase 30% em relação a 2025.
Em junho, o setor contabilizou mais de 3,11 milhões de trabalhadores contratados via CLT no país. Vale destacar a representatividade da juventude nesse crescimento: quase 49% das novas vagas abertas no semestre foram preenchidas por jovens de 18 a 29 anos, demonstrando o papel social e multiplicador da construção na economia brasileira.
Fonte original: CBIC

