O ritmo de aumento dos custos da construção civil no Estado de São Paulo registrou novo alívio em agosto de 2026. Segundo levantamento divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), o Custo Unitário Básico (CUB) global desacelerou para 0,19% no mês, após a alta de 0,45% verificada em julho.
- Variação no mês: +0,19% (desaceleração frente aos 0,45% de julho).
- Custo médio por metro quadrado (padrão R8-N): R$ 2.235,58/m².
- Custo com desoneração da folha: R$ 2.159,81/m² (+0,19% no mês e +8,13% em 12 meses).
- Acumulado no ano de 2026: +5,26% (sem desoneração) e +7,14% (com desoneração).
- Acumulado nos últimos 12 meses: +6,21% (contra inflação de 2,16% do IGP-M no período).
- Composição em agosto: Materiais (+0,24%), Mão de obra (+0,16%) e Despesas administrativas (estável em 0,00%).
Com o resultado de agosto, o CUB representativo das obras paulistas (projeto-padrão residencial R8-N) alcançou o valor médio de R$ 2.235,58 por metro quadrado. O indicador consolida uma trajetória de arrefecimento após os fortes picos de reajuste registrados no final do primeiro semestre, especialmente em maio e junho.
Mão de Obra e Materiais Arrefecem no Mês
Na análise segmentada dos componentes do índice, os materiais de construção apresentaram variação de 0,24% em agosto, acumulando alta de 4,94% no ano e de 6,26% no acumulado de 12 meses.
Já os custos com mão de obra avançaram 0,16% no mês, após acomodação dos dissídios coletivos da categoria. No ano, a mão de obra soma alta de 5,48% e atinge 6,18% em 12 meses. As despesas administrativas permaneceram estáveis (0,00% de variação em agosto), acumulando 5,37% no ano e 6,26% na janela de um ano.
Impacto nas Obras com Desoneração da Folha
Para as construtoras e empreendimentos enquadrados no regime de desoneração da folha de pagamentos, o CUB também registrou variação positiva de 0,19% em agosto. No acumulado de 2026, a elevação sob esse regime chega a 7,14%, e em 12 meses atinge 8,13%.
O custo médio ponderado por metro quadrado com desoneração fechou agosto em R$ 2.159,81/m². A composição dos custos distribuiu-se da seguinte forma:
- Mão de obra: R$ 1.198,47 por metro quadrado (55,5% do total).
- Materiais de construção: R$ 899,19 por metro quadrado (41,6% do total).
- Despesas administrativas: R$ 62,15 por metro quadrado (2,9% do total).
Insumos: Tubos de PVC, Cimento e Fios de Cobre Superam IGP-M em 12 Meses
Entre os insumos pesquisados na cesta do SindusCon-SP/FGV, as maiores variações registradas em agosto ocorreram no bloco de concreto 19×19×39 cm (+0,93%), na brita 2 (+0,86%) e na fechadura para tráfego moderado com acabamento cromo (+0,74%). Todos esses itens subiram acima do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que teve retração de 0,22% no mês.
No acumulado dos últimos 12 meses, contudo, a pressão em itens essenciais da infraestrutura predial permanece expressiva, distanciando-se amplamente do IGP-M geral (que acumulou 2,16% no período):
Maiores altas acumuladas em 12 meses na cesta de materiais:
- Tubo PVC-R rígido para esgoto Ø 150 mm: +13,11%
- Cimento CPE-32 (saco de 50 kg): +11,88%
- Fio de cobre antichama isolado 750V (2,5 mm²): +11,60%
O que é o CUB e Qual a sua Importância?
O Custo Unitário Básico (CUB) é o indicador econômico oficial que expressa a variação dos custos da construção habitacional no Brasil. Regulamentado pela Lei Federal nº 4.591/64, seu registro é de uso obrigatório pelas incorporadoras nos memoriais de incorporação de novos condomínios e edifícios, servindo como referência legal e balizador para reajustes contratuais e orçamentos do setor imobiliário.
Fonte: Reportagem de Rafael Montagnini (01/09/2026) / Dados oficiais do SindusCon-SP em parceria com a FGV


